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2Levantamento da OAB-SP “Salvar a democracia” não convence e STF enfrenta desgaste inédito entre advogados
Por Administrador
Publicado em 08/04/2026 10:50 • Atualizado 08/04/2026 17:14
Notícias do Brasil
 
 

A desconfiança crescente da população no Supremo Tribunal Federal (STF) agora atinge também a classe jurídica, com 62,82% dos advogados avaliando negativamente a atuação da Corte e 85% defendendo mandatos fixos de no máximo dez anos para ministros. É o que mostra o resultado parcial de uma pesquisa da comissão de estudos Reforma do Judiciário, da seccional São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), que já ouviu 12,7 mil profissionais do estado.

Se em 2023 juristas renomados ainda defendiam os arbítrios do Supremo como uma forma de “salvar a democracia” brasileira, agora apenas uma pequena parcela da classe enxerga positivamente os atos dos magistrados (para 9,86% deles a atuação da Corte é positiva, enquanto somente 3,65% a veem como muito positiva). Juristas ouvidos pela Gazeta do Povo analisam tratar-se de uma “crise inédita” do STF, com um “esgotamento também entre a classe jurídica”, que é “mais visível, mais estruturado e mais difícil de ignorar”, o que não se percebia entre 2020 e 2024, por exemplo.

Segundo a pesquisa da OAB-SP, quase metade dos advogados (47,69%) avalia, hoje, a atuação do STF como muito negativa. Outros 15,3% têm uma visão negativa do Supremo, enquanto 19,83% o enxergam como regular e 3,84% não sabem opinar. Segundo o órgão, este é o primeiro estudo da seccional paulista sobre o Judiciário, não havendo, portanto, série histórica para comparação. O levantamento segue recebendo respostas de advogados, de forma online, ainda sem data para terminar. A parcial divulgada nesta semana tem base em consultas feitas entre dezembro de 2025 e março de 2026.

Para o professor de Direito Constitucional Alessandro Chiarottino, a continuidade de inquéritos ilegais, a persistência em decisões com viés político e os escândalos atuais – com o caso Master sendo um divisor de águas – levaram a esse “descontentamento muito grande com o STF atual”. “Em anos anteriores, de 2020 a 2024 por exemplo, a situação era bem diferente. Agora parece haver um esgotamento também entre a classe jurídica”, avalia.

FONTE GAZETA DO POVO

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